Para assegurar a equidade de gênero, agenda climática deve levar em conta impactos diferenciados

Introdução


Há poucos dias do
aniversário do assassinato da hondurenha Berta Cáceres, líder mundial da defesa ambiental, os olhos do mundo inteiro se voltam para as mulheres. Hoje, não sem um longo e pedregoso caminho percorrido, as mulheres são reconhecidas como líderes  ambientais, seja pela defesa de terras que impede o desmatamento e outros tipos de degradação, seja pela busca de soluções para os desafios das mudanças climáticas. Mas é inegável que elas sofrem de maneira desproporcional os seus impactos. Devido à estreita relação das mulheres com a realidade e recursos locais e ao fato de que 70% da população que vive abaixo do nível de pobreza são mulheres, elas são mais vulneráveis aos fenômenos climáticos extremos, como secas, enchentes ou aumento do nível do mar. É, portanto, fundamental que os planos de ação governamentais relacionados às mudanças no clima considerem os impactos diferenciados em mulheres e homens. A despeito da ausência de políticas ou do seu estágio incipiente, as mulheres já assumem a liderança nos caminhos da transição energética, implementando experiências inovadoras no Líbano, liderando processos de gestão da água na Nicarágua ou aprimorando conhecimentos para adaptação climática na Tanzânia. E há muito mais exemplos em todo o mundo.

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Pontos-chave

As mulheres desempenham papel crucial na proteção dos ecossistemas e do clima, e na resiliência em contextos de mudança climática.  Historicamente, as mulheres têm desempenhado um papel central no uso, manejo e proteção dos recursos naturais.  Desde atividades agrícolas até a gestão da água, as mulheres estão na linha de frente da ação e são hoje chave para a mitigação e adaptação em nível local.  Seus elevados conhecimentos e capacidades de adaptação, além de valores de solidariedade, tornam-as chave para a implementação das ações de resposta às mudanças climáticas que, por sua vez, favorecem a igualdade e o empoderamento. Mulheres são protagonistas de histórias como a realocação de comunidades para áreas mais altas, a fim de escapar da elevação do nível do mar na Nova Guiné, a proteção de florestas e nascentes de rios contra atividades de mineração no Timor Leste, ou denúncias de poluição que levaram a processos judiciais contra atividades petroquímicas na África do Sul.

As mudanças climáticas acirram as diferenças de gênero e ameaçam a segurança das mulheres. Face ao novo cenário climático, com alta de temperatura de 1ºC acima do nível pré-industrial detectada em 2015,  diversas tarefas que recaem ainda hoje sobre as mulheres – gestão da água, produção e cozimento de alimentos – se tornaram mais complexas.  Com isso, a luta das mulheres pela subsistência passa hoje mais do que nunca pela proteção de recursos naturais. Em consequência desta verdadeira guerra pela sobrevivência, tomando como exemplo a América Latina, 1.688 agressões a mulheres ativistas foram registradas entre 2012 e 2014 somente em El Salvador, Guatemala, Honduras e México. Os retrocessos democráticos e a intensificação da militarização são alguns dos fatores que contribuíram para o aumento da violência contra as defensoras de direitos humanos na região, uma das mais críticas no mundo, junto com a Ásia.

Implementar o Acordo de Paris significa também efetivar uma agenda de igualdade e de direitos.  Mais de 190 países signatários do Acordo de Paris se comprometeram a levar adiante uma agenda de igualdade de gênero e empoderamento das mulheres para fazer frente aos desafios das mudanças climáticas. Em novembro passado, reconhecendo a importância de uma política climática sensível às questões de gênero, os países avançaram na elaboração de um programa de trabalho ampliado sobre o assunto. No século 21, não há mais dúvida de que as ações pelo clima devem ser sensíveis à questão de gênero, promover os direitos humanos e empoderar as mulheres e meninas.  

Recursos

Cobertura de imprensa

Mulheres têm papel fundamental na luta contra mudanças climáticas (Jornal Dia a Dia)

15 Mulheres que lutam contra o caos climático (Observatório do Clima)

Women are those fighting the tough environmental battles around the world (Think Progress, em inglês)

International Women’s Day: Meet the women behind China’s energy shift (Energy Desk)

International Women’s Day: Gender Justice is on the march in the Amazon (The Ecologist, em inglês)

Recursos e fontes de informação  (Webs/ informes/blogs/links)

Press-release: A Oportunidade de Marrakesh: que o Acordo de Paris responda às necessidades de mulheres e meninas – em inglês

Pesquisa: Gênero e Mudanças Climáticas (Global Gender and Climate Alliance) – em inglês  

Documento: Raízes para o Futuro: o Cenário e os Passos a Seguir para Gênero e Clima (Global Gender and Climate Alliance) – em inglês
Relatório:  Gênero e Mudanças Climáticas (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento)

Guia de capacitação: FAO – Guia de capacitação sobre Gênero e Mudanças Climáticas

Referências (páginas da web):
Convenção do Clima (UNFCCC) e Gênero  (1)
Convenção do Clima (UNFCCC) e Gênero  (2)

Da organização da ONU para gênero, uma página sobre o Acordo de Paris

Página sobre Gênero da International Union for Conservation of Nature

Gold Standard Foundation (certificação de projetos, programas e ações que promovem o desenvolvimento sustentável, escopo de gênero)

Organização: A Aliança Global sobre Gênero e Clima

Resumo: Gênero e Financiamento do Clima (Heinrich Boll /ODI)

Opinião: Empoderar as mulheres, uma condição para a luta contra a mudança climática (Expansión) – em espanhol

Boletim:  Mulheres e Mudança Climática (ECODES) – em espanhol

Artigo: Mulheres são mais vulneráveis às mudanças climáticas (El País, Brasil)