Carros elétricos e energia solar impedirão o crescimento do carvão e do petróleo a partir de 2020

Charging electric cars

Introdução

A queda dos custos de produção dos veículos elétricos e da tecnologia solar tem potencial para barrar o crescimento da demanda global de petróleo e carvão a partir de 2020, segundo análise do Grantham Institute do Imperial College de Londres e da think-tank britânica Carbon Tracker Initiative. A nova pesquisa aponta que os veículos elétricos poderiam representar um terço do mercado de transporte rodoviário até 2035 e a energia solar poderia suprir cerca de 25% da energia até 2040, com implicações significativas e riscos para as empresas de energia, governos e investidores que fecharem os olhos para esta tendência. A exemplo dos Estados Unidos e da Austrália, o governo do Brasil segue na contramão da história e reluta em desinvestir dos combustíveis fósseis e, em dezembro de 2016, bateu novo recorde na produção de petróleo. Ao negligenciar o potencial lucrativo das energias renováveis e adotar a postura “business as usual”, com total ausência de visão ambiental, o governo coloca em risco a prosperidade, a saúde e a segurança dos brasileiros.

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Pontos-chave

O crescimento vertiginoso da energia solar e dos veículos elétricos é previsto a partir de 2020, com a queda dos custos de produção impulsionando  definitivamente a transição para a economia de baixo carbono.  Os custos da energia fotovoltaica (PV) caíram em 85% nos últimos sete anos, enquanto o mercado de veículos elétricos se expande a um ritmo de 60% ao ano. Hoje calcula-se 1 milhão de veículos circulando nas ruas, após a queda registrada no preço de baterias em 73%, em sete anos. A análise econômica, com base nos custos projetados das novas energias, prevê um aumento vertiginoso do uso da energia fotovoltaica e dos veículos elétricos. A energia solar poderá corresponder a cerca de um terço da energia global  até 2050 e os veículos elétricos  atingirão o mesma fatia do mercado em 2035, chegando a dois terços em 2050. Por ausência de uma política robusta de investimentos em energia limpa, a produção de energia solar no Brasil cresce a passos lentosse considerada a sua vocação natural, e se comparada aos investimentos de a países como a Arábia Saudita.

Os lucros das energias limpas no setor de transporte rodoviário e de fornecimento de energia vão acarretar o fim da demanda por petróleo e asfixiar a demanda de carvão.  Em apenas uma década a indústria de combustíveis fósseis poderá perder cerca de  10% da fatia de mercado para a energia fotovoltaica e para os veículos elétricos, de acordo com esta análise. Pode não parecer muito, mas uma perda de 10% de participação no mercado de energia causou o colapso da indústria de mineração de carvão dos EUA e as cinco grandes empresas de energia elétrica da Europa perderam mais de 100 bilhões de euros entre 2008 e 2013 porque não estavam preparadas para um crescimento de 8% nas energias renováveis. Somente o crescimento dos veículos elétricos na próxima década pode fazer com que 2 milhões de petróleo por dia deixem de ser usados até 2025 – o mesmo volume que causou o colapso do petróleo em 2014-2015, desvalorizando em centenas de bilhões de dólares os ativos da indústria de combustíveis fósseis.

Apostar na revolução energética do século 21 pode significar um aumento do emprego, da segurança e qualidade de vida, ao passo que apostar no “business as usual” em um mundo em franca transformação é uma aposta arriscada e perigosa. Nos Estados Unidos, apesar do negacionismo do atual governo Trump, a  indústria de energia solar já emprega mais do que a de petróleo e carvão juntas. São inegáveis os benefícios da energia limpa para a saúde da população, com a vantagem adicional de desonerar as despesas da saúde com doenças crônicas causadas pela poluição. Políticas como a redução à metade do IPVA para carros elétricos em São Paulo, concedida em 2015 pelo governo de Paulo Haddad, estão em sintonia com a revolução energética em curso. Por fim, a menos que incorpore estruturalmente as energias renováveis em sua matriz energética, a economia brasileira – e os cidadãos brasileiros – continuarão sujeitos aos riscos que decorrem de racionamentos e colapsos de energia.