Distorcer os fatos, descredibilizar a ciência e atacar a mídia põe em risco a democracia

Introdução

As primeiras iniciativas de Trump de escamotear os fatos sobre mudanças climáticas revelam as motivações nada altruístas e antidemocráticas do novo chefe de governo americano e do partido sob seu comando. Em poucos dias, o inexperiente presidente americano e sua equipe apagaram as mudanças climáticas do website da Casa Branca, amordaçaram a Agência de Proteção Ambiental americana, ordenaram a censura de cientistas financiados pelo governo, mentiram sobre os projetos de construção de oleodutos Keystone XL e Dakota Access, e apresentaram “versões alternativas” dos fatos, ao buscarem justificar suas convicções ambientais. Os primeiros sinais de truculência da administração Trump provocaram reação imediata da comunidade científica e de defensores da democracia nos Estados Unidos e em todo o mundo.

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Pontos-chave

  • O acesso a informações fidedignas sobre o clima é um imperativo da democracia porque somente cidadãos bem informados e esclarecidos podem tomar decisões corretas sobre saúde, segurança e bem-estar.  Fazer desaparecer informações que explicam exatamente como e porquê 2016 foi o ano mais quente até hoje registrado, que populações estão sendo obrigadas a se deslocar devido aos impactos do clima, que as safras de alimentos serão cada vez mais afetadas pelas mudanças no clima, e que os pobres ficarão 70% mais pobres devido às mudanças climáticas fragiliza ainda mais a sociedade – impedindo-a de enfrentar os riscos que as mudanças no clima representam para a prosperidade e segurança.

  • Trump e sua administração estão comprometendo a saúde, a segurança e a prosperidade mundiais ao tentar descredibilizar os cientistas do clima e ao promover versões “alternativas” dos fatos.  Os esforços de controlar, alterar e apagar as informações sobre políticas e pesquisas científicas relacionadas ao clima nos Estados Unidos na semana passada deixam claras as ligações entre o governo de Trump, as suas ambições pessoais e as da indústria do petróleo. O incentivo às energias sujas, enquanto as renováveis se desenvolvem rapidamente, geram mais empregos e se mostram promissoras, só pode ser justificado pela distorção dos fatos. O episódio lembra o relatório da BP, que pintou um cenário romântico para o futuro do petróleo e do carvão e buscou minimizar os impactos positivos da revolução dos veículos elétricos.

  • Factóides não são fatos. Um consenso mínimo sobre os dados do clima e uma imprensa livre que cobre transparência dos detentores do poder são fundamentais para a democracia efetiva –  em um mundo ameaçado pelas mudanças climáticas, isso nunca foi tão vital. Os ataques de Trump às instituições de pesquisa americanas provocaram reações por parte de diferentes grupos. A comunidade científica organiza grande passeata em Washington D.C. no próximo  fim de semana e a sociedade civil segue firme com uma grande marcha do clima em abril. Veteranos de guerra, fazendeiros e grupos indígenas se defendem da expansão dos oleodutos ao mesmo tempo em que surge uma avalanche de objeções internacionais, incluindo as instruções do parlamento britânico para que a chefe de Estado confronte o ceticismo em relação às mudanças climáticas em seu primeiro encontro com o presidente Trump.