Amazônia livre da exploração de óleo e gás: mobilizações pedem o fim de projetos de combustíveis fósseis

Introdução

O desmatamento não é a única ameaça à Amazônia e o interesse nos recursos fósseis presentes em seu subsolo é crescente. No começo deste mês, mulheres indígenas do sul do Equador marcharam em defesa da justiça climática e da Amazônia para denunciar um contrato recém assinado pelo governo do Equador com uma empresa chinesa que autoriza a exploração de dois blocos de petróleo em parte de territórios indígenas. Já o Peru, país vizinho, enfrenta uma grave situação com duas recentes rupturas de dutos que derramaram o equivalente a dois mil barris de petróleo, impactando na biodiversidade e na vida de populações tradicionais. Segundo pesquisador brasileiro, apesar de atingir o lado peruano, as consequências são para todo o bioma da Amazônia. Do lado de cá da fronteira, o governo quer explorar gás de xisto nos Vales do Javari e Juruá, no Acre, utilizando fracking. A tecnologia é considerada altamente poluente e grande consumidora de água, além disso, o gás de xisto contribui para as mudanças climáticas com a liberação de metano, um gás de efeito estufa várias vezes mais poluente que o dióxido de carbono. Para botar pressão em líderes políticos e pedir para que deixem projetos de óleo, gás e carvão no passado – e no subsolo – milhares de pessoas irão se mobilizar e se juntar ao “Liberte-se dos combustíveis fósseis” entre os dias 2 e 15 de maio, inclusive no Acre para protestar contra a exploração de combustíveis fósseis na floresta amazônica. Assim como as mobilizações precedentes a Conferência do Clima de Paris, o ‘Liberte-se’ segue dando impulso e fortalecendo a transição para as energias renováveis.

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Pontos-chave

  • A exploração de óleo e gás na Amazônia ameaça a floresta, populações locais e a biodiversidade. O vazamento de dois dutos no Peru atingiu os rios Chiriaco e Morona, no Noroeste do país, prejudicando comunidades ribeirinhas e indígenas e apesar de atingir o lado peruano, as consequências são para todo o bioma da Amazônia. Em muitos casos, os blocos de exploração incidem em Terras Indígenas, no caso do Brasil inclusive com presença de povos isolados. Além disso, os impactos da exploração de petróleo se relacionam não apenas com a ocupação do entorno das áreas, mas principalmente com a infraestrutura associada à exploração, como dutos, portos e refinarias.

  • Libertar-se dos combustíveis fósseis é possível e pode começar agora. O mês de fevereiro bateu o recorde de temperatura e o ano de 2015 foi considerado o ano mais quente desde que as medições de temperatura começaram a ser feitas. A urgência de agir pelo clima atingiu um ponto crítico. Com a indústria das energias renováveis sendo cada vez mais confiável, acessível e benéfica para a economia, agora é o momento ideal para que os líderes políticos ajam para impulsionar e acelerar a transição para um futuro livre dos combustíveis fósseis.
  • Mobilizações da sociedade civil ajudam a aumentar a ambição dos governos em relação ao clima. As mobilizações globais ao redor do mundo antes da Conferência do Clima em Paris fortaleceram o impulso político. Cerca de 200 líderes mundiais construíram um plano para estabilizar o aumento da temperatura global e acelerar a transição rumo a um futuro renováveis. A cerimônia de assinatura do Acordo de Paris acontecerá em algumas semanas e a sociedade civil seguirá de olho nos líderes políticos para que eles cumpram seus compromissos.

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