De nevascas a ondas de calor, América Latina sente os impactos das mudanças climáticas

Introdução

Os impactos das mudanças climáticas e do terceiro El Niño mais intenso da história se fazem sentir em toda a América Latina e servem como um lembrete da necessidade urgente de descarbonizar as economias e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Também servem como um aviso de que implementar medidas de adaptação para aumentar a resiliência de comunidades e países é indispensável. Na Bolívia, o lago Poopó – o segundo maior do País – secou devido a mudanças nos padrões de temperatura e de chuva, além do uso excessivo da água para consumo humano, agricultura e projetos de mineração. O lago tinha uma extensão de mais de 2 mil quilômetros quadrados e fazia fronteira com o Chile. O vizinho chileno também não escapa ileso das alterações climáticas, recentemente a costa de Valparaíso foi atingida por ondas de até cinco metros de altura durante uma tempestade. Um pouco mais para o norte da América Latina temos dois extremos: a Colômbia que sofre com ondas de calor tão severas que provocam queimadas nas florestas e o México tem as nevadas mais intensas em 50 anos. Estes e outros eventos – como as recentes inundações vistas no Sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina – irão se tornar cada vez mais frequentes e intensos caso medidas de mitigação às mudanças climáticas não sejam implementadas. A oportunidade está na mesa para que os países tornem suas promessas feitas no recém-assinado Acordo de Paris em ações reais, cumprindo com seus planos nacionais e aumentando a ambição destes, a única forma possível de reação que condiz com o que acontece na América Latina e outros lugares do mundo.

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Pontos-chave

  • Os impactos das mudanças climáticas serão cada vez mais sentidos enquanto as economias não seguirem a trajetória de baixo carbono. Brasil, América Latina e outros lugares do mundo já são impactados pelas mudanças climáticas e continuarão a ser atingidos por eventos climáticos extremos caso o aumento da temperatura global não seja limitado. Trilhar um caminho rumo a um futuro no qual as economias são de baixo carbono e o desmatamento e o uso dos combustíveis fósseis terão chegado ao fim são medidas possíveis e necessárias para combater as mudanças climáticas.

  • As consequências das mudanças climáticas nos ecossistemas afetam a biodiversidade e a sustentabilidade de comunidades locais. A seca do lago Popoó, na Bolívia, por exemplo, causou o desaparecimento de cerca de 200 espécies de aves, peixes, mamíferos, répteis e uma grande variedade de plantas, além de ter afetado famílias tinham o sustento na pesca e que precisaram se deslocar. Com o desaparecimento do lago somem também cultura e saberes locais de comunidades. Combater as mudanças climáticas é, portanto, um dever local, nacional, global e intergeracional.

  • É fundamental transformar os planos nacionais acordados em Paris em ações concretas e que a ambição destes aumente progressivamente. 2015 foi o ano mais quente da história e o aumento da temperatura teve influência da ação humana. Um forte El Niño aumentou a temperatura global, mas está claro que a ação humana está influenciando o clima e “levando-o para territórios desconhecidos”. Diante deste desafio, os países precisam agir e se comprometer em limitar o aquecimento global. O Acordo de Paris deve ser apenas o início para que a transição energética e o combate ao desmatamento aconteça mais rápido. Os países precisam partir daí e, então, aumentar a ambição de suas ações para garantir o bem estar de populações e, ainda, trazer benefícios para a economia e a saúde global.

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